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REAÇÕES PCCCIANAS
Imaginem esta cena:
– Você chega no cinema, compra o seu ingresso – aí sempre dá aquela vontade de mijar.
– Você entra no BANHEIRO com o piso negro, cheiro de motel ouve o barulho da descarga e dá de cara com um PM saindo da cabine e arrumando o cinto (ele acabou de cagar).
– O cara olha para você em pânico –ele não lavou a mão ainda – pega o revólver e passa te encarando, mas firme e forte, segurando o trabuco.
– Você nessa hora pensa que a cena é surreal. Mas não é, o PM te encara e não dá às costas de jeito nenhum.
– Você vai em direção ao mictório e põe o seu trabuco pra fora e mija.
– O PM sai de fininho sem lavar a mão e fecha a porta ainda te fuzilando com os olhos.
– Você ri e simplesmente fala sozinho esse mundo tá perdido e o cara literalmente tá com a mão na merda.
Escrito por Will e Sara às 16h47
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ESPAÇO DAS CRIANÇAS PERDIDAS
Pedro correu em direção a bola. Gustavo parou e observou. No final de tarde a garoa insistia em cair. A bola rolava no campo de terra desde cedo. Aranha era o goleiro instransponível. Cebola o grande artilheiro. Incansável e imprudente. Girava em cima da bola. Lembrava um bailarino russo. Bolacha um negro gordo, jogava atrás. Tóia, magro, moreno, rápido e encrenqueiro. Completava o grupo de moleques. O objetivo: correr atrás da bola e se distrair, rir, curtir, aproveitar a infância. Essa também é a única maneira possível. O calçado é a sola gasta e dura dos pés pequenos, tamanho mais ou menos 35. Todos vivem a mais ou menos dez anos.
No instante que Pedro correu e Gustavo parou. Tóia olhou para Bolacha, que por sua vez também parou. O encontro entre as duas crianças foi rápido e seco. Bolacha nem se mexeu. Mas Pedro bateu com o peito no cotovelo do jovem menino gordo e negro. Cebola apenas, pôs as mãos na cabeça. Tóia gritou. Um grito estridente. Gustavo correu. Bolacha virou. Tóia se agachou e chorou. Pedro desfalecido tremia. Gustavo o acudiu. Bolacha também. Aranha sumiu. Cebola também. Tóia correu em direção a sua casa.
Tina chegou gritando e viu a terrível cena. Pedro no colo de Gustavo. Bolacha corria para um lado e para o outro. Tóia chorava em casa. Tina tirou o pulso do garoto inerte. Ele ainda batia. As pupilas estavam dilatadas. Bolacha desceu e chamou seu Chico. Tóia não conseguia falar. Gustavo foi parado pelo seu Chico. Eu acho que ele se foi. Como assim. Ele bateu no Bolacha. Mas por que? Foi do jogo. Vocês só fazem merda. Não foi culpa minha. Chico, pega aqui, não agüento mais. Oh, Tina você não precisava trazê-lo. Como não. Ele já se foi. Não foi não. Vixe Maria vamos correr. Gustavo estava tenso. Bolacha parecia um fantasma. Tóia estava descabelado e mudo. Tina eufórica com o resgate. Chico desceu com Pedro no colo, pediu para o Ademar abrir o carro. Eles se foram.
Seus filhos da putas. O que vocês fizeram? Eu não fiz nada, Gustavo e Bolacha responderam. Tóia ficou mudo. Fala seu moleque atentado. Pode falar se não o chicote vai estralar para o seu lado. Uuuuuuuu. Fala sua peste. O que você fez. Uuuuuuuu. Você está doida Tina. Ele não consegue falar. Caralho é verdade. É sua anta. Vamos pro hospital. Tina desceu as escadas e chamou Arcanjo. Vamos levar o Tóia para o médico. O que ele tem? Não fala. Como assim? Vamos porra. Lá se foram. Tina, Arcanjo, Tóia, Gustavo e Bolacha. O que esse moleque tem. Vai, me fala. Isso mesmo sua besta. Não percebeu. Ele não fala. Uuuuuuuu. Uuuuuuuu. Calma, já estamos no hospital.
Vixe, Bolacha não é o Pedro na maca. É. Nossa ele está azul. Não, está verde. Pô ele vai morrer. Cala boca pivete. Vai nada. Como você sabe Tina. Porque eu sei. Uuuuuuuuu. Seu Chico como ele tá? Ah menina, não sei. Ele acordou, mas não conseguiu falar. Vixe tá igual ao Tóia. Tóia chega próximo. Pedro olha pra ele. Os dois se observam e parecem conversar com os olhos. É dizem simultaneamente. Cadê a bola!
Escrito por Will e Sara às 15h58
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