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Dois mundos dentro de uma só cidade
São Paulo é a maior cidade do Brasil em todos os gêneros. Entretenimento, lazer, trânsito, ricos, pobres e tudo mais se encontram aqui. Mas nessa semana aconteceu dois fatos marcantes na cidade. Terça-feira 5/07 houve o lançamento do livro Sarah, escrito pelo americano JT Leroy um rapaz de 25 anos que se veste e se porta de uma maneira andrógina. O livro é a sua história de vida, um ex-prostituto, drogado, que a mãe também prostituta levou o filho para o mesmo caminho, cama, motel, caminhão e tudo mais. O rapaz é esquisito, mas cool nos States, ele está no terceiro livro e indo para o segundo longa-metragem pelas mãos Guns Van San. Tá o que tudo isso tem a ver com São Paulo? Absolutamente tudo, o lançamento foi numa livraria conceituada na Vila Madalena, outro ambiente andrógino. As pessoas investem em ficar alternativas, tatuadas, descoladas e literalmente frustradas e com semblantes de assexuadas. O ambiente do lançamento se tornou um nojo com perguntas cretinas e respostas monossílabas pela voz de uma figura esquisita. Mas não foi só isso, pessoas assexuadas no local se dizem a mais inteligente, contam para todos os livros que escreveram e percorrem enlouquecidamente os seus 15 minutos de fama. O tom afeminado nas perguntas e conversas tá uma sensação de ambiente GLS, mas os rostos fechados exibem a cara de soldados russos. Mas no final das contas eles vivem num ambiente seguro fechado e menosprezados por poucos. Outro lugar em questão fica aproximadamente 15 km de distancia da Vila Madalena está localizado no extremo oeste da capital. Quarta-feira 06/07 por volta das 21:45 da noite 7 graus, frio, garoa e barulho. Esse ambiente fica completo com uma lata velha, enferrujada com brasas acessas dentro e uma grelha antiga suja com pedaços de carne vermelhas, frangos e lingüiça. Para rechear estes ingredientes um prato com farinha é agradecido por todos. Para acompanhar o bom e velho churrasquinho são servidas três caixas de cerveja. Essa festa toda é para comemorar o jogo de futebol que é transmitido pela Globo e passado numa teve de 21 polegadas da marca Philco. A transmissão é referente ao jogo-final entre São Paulo Futebol Clube e Atlético Paranaense, por causa da falta de capacidade do estádio do mandante, o duelo foi transferido para a cidade de Porto Alegre que se transformou no palco neutro e único numa competição que é realizada desde 1960. O confronto neutro foi repleto de pancadaria, e para alegria de cerca de 30 jovens paulistanos. O jogo começou com a equipe paulistana jogando para frente.
Para alegrar o ambiente sombrio a bateria é composta por três instrumentos que não pararam um só minuto. Bumbo, tamborim e caixeta, foram espancados e mau tocados por cerca de duas horas seguidas, as 72 garrafas de cerveja foram consumidas no mesmo período. O churrasco começa a ser servido com pão e o gol adversário também não demorou muito para acontecer. O balde de água fria foi jogado na cabeça de uma galera de cabeça quente, motivada pela adrenalina da disputa, do álcool, maconha, cocaína e crack.
O ambiente era único pela falta de higiene e educação dos presentes. “Vamu meu São Paulo, porra filho da puta, viado do caralho, seu eu ti pego te corto no revorve” era assim as frases colocadas de maneira insana e sem medida dos decibéis.
O efeito do álcool e das drogas começou a fazer efeito por volta das 11 horas da noite, cerca de trinta jovens: brancos, pretos, mulatos faziam parte dessa trupe, bem vestida e calçada com os melhores modelos da última coleção das mais famosas multinacionais do ramo, Nike e Rebook. Calçados que custam provavelmente um salário de qualquer um deles. Conforme Pedro Antunes, 21 anos exclamou “PÔ trabalho o mês todo e gasto o meu dinheiro com o que eu quero. Onde já se viu eu andar com um bute (tennis) velho. E a munherada fica como”. Assim vai....
No final da partida o empate deixou os são-paulinos tristes e eufóricos ao mesmo tempo, bandeiras de mais de 3 metros eram sacudidas num bailar desenfreado tudo isso perto da meia noite e a garoa cismava em cair e as carnes também recheava o prato fundo e metálico. O brilho do pequeno recipiente era um reflexo fosco nos olhos da maioria que andava sem parar sob o efeito da droga branca misturada com álcool e potencializada que deixa os ânimos a flor da pele. O lugar está localizado num Vale e o boteco é do Gordinho é decorado com fotos de algozes que já mataram dezenas de pessoas, através de homicídios ou do próprio desgosto dos familiares por entrarem no mundo das alucinações. A droga contratou mais um rapaz comum, 20 anos usado para vender do branco e do preto em becos, botecos e em torno do vale da região. “Cheiro de UÊ queimado, Ricardinho espancado e o Robertinho era um viado”, essas palavras no embalo do Funk Proibido saiam de um forte som de um carro zero quilometro estacionado em frente ao local. Umas das novas paixões dos rapazes pobres, drogados e fudidos é o Funk Proibido que traz na letra apologias ao tráfico e diversas facções criminosas. No final da madrugada o saldo foi uma chacina no ambiente triste, pobre e feio. Cinco mães acordaram com a dor no peito pela morte brutal dos seus entes queridos, que para elas eram apenas o Diguinho, Pele, Abacate, Alemão e Dinho. Cinco jovens que cantarolavam os embalos dos Mcs cariocas não conseguiram fugir dos tiros paulistanos.
Escrito por Will e Sara às 18h23
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